Antes de falar sobre o sábado, é necessário dizer que o Namo é um aficionado por motos. Nosso segundo beijo foi apoiados sobre a sua antiga Sahara branca (que eu apelidei de Cavalo Branco Hi-tech, porque todo Príncipe Encantado precisa de um cavalo branco), ele reconhece o modelo da moto só de ouvir o barulho, me troca por ficar procurando peças para a moto dele na internet etc etc etc.
Por causa desse gosto do Namo pelas motocas ele passou a freqüentar um motoclube. Todas as quartas-feiras ele vai ao clube do Bolinha, toma umas Coca-Colas – culpa da lei seca – e vem para a minha casa dormir. E, acreditem, ele vem dormir.
É aí, quando o motoclube entra em questão, que começa meu sábado.
- Amor, você vai pro Rio esse fim-de-semana?
- Vou, não, Benzão.
- Então nós vamos ao encontro do pessoal do clube lá em Matozinhos.
Democraticamente resolvido isso, eu resolvi que não iríamos carregar barraca de acampamento, dois colchões infláveis, um saco de dormir e um edredom, além de roupas, em cima da moto para dormirmos lá.
Acordamos sábado de manhã, vestimos as armaduras e fomos para o ponto de encontro do pessoal para irmos juntos para o local do evento. Até para mim, que sou leiga no assunto, foi fácil reconhecer onde estavam os “meninos” (e o Namo sabe o porquê das aspas). Uma moto maior que a outra, um motociclista mais equipado que o outro, e várias trouxas de coisas penduradas em vários dos lados dos bi-rodas.
Conheci os primeiros integrantes do clubinho e fiquei satisfeita, aliviada e contente por serem todos muito divertidos e receptivos. Ficamos ainda uns minutos lá esperando os outros que ainda não haviam chegado. Vinte minutos de conversa depois e o assunto ainda não tinha variado uma vírgula: motos. Juro que cheguei a pensar “Será que vai ser isso o dia inteiro?” Mas logo depois o grupo estava completo e nós partimos.
Nas várias vezes em que peguei a BR-040 indo para o Rio ou voltando para BH, não raro vejo um grande grupo de motos, com caras super equipados em cima. E confesso sempre ter achado muito legal. Mas legal mesmo era, agora, estar dentro de um desses grupos. Os “meninos” puxando a fila e a gente seguindo. Interessante reparar no companheirismo, no senso de proteção de uns com os outros, nas linguagens que usam para se comunicar.
Sessenta quilômetros de estrada de asfalto e um de estrada de terra depois, eis que chegamos ao sítio onde se deu o encontro. Canequinhas com a logo do evento, pessoal uniformizado, muito churrasco, cerveja rolando, papo – sim, sobre motos, sempre – muita gente legal e, quando vi, já estava na hora de voltar para BH. “Ah, Namo, da próxima vez a gente fica pra dormir...”
Vesti a parafernalha (bota, meião, caneleira, calça comprida, blusa de manga, casacão, cachecol, touca de frio, capacete, óculos) toda de novo e montei na Celestina (sim, a moto do Namo tem nome). Só senti tamanha dor na bunda – naquele ossinho que dói quando se anda de bicicleta depois de muito tempo – em Bolonha, justamente no segundo dia andando de bici para cima e para baixo. Quase quis voltar para casa caminhando, mas era realmente inviável, então fiz a viagem toda de menesguei, revezando qual lado da bunda ficava socando na moto.
Chegamos em casa cedo, mas completamente acabados de cansaço. Minha boca estava coberta de pó de asfalto, e eu só tive energia para tomar um banho e dormir.
- Benzão, me leva na feira amanhã cedo?
tobecontinued...