Para quem junta aquele monte de coisinhas em seus armários físicos, mentais, sentimentais. E para organizar meu próprio armário, que guarda mais e mais coisas a cada dia.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Esta é digna da Marcela*
A mulher do RH entrou na sala, sentou e começou as perguntas. Natural de onde, mora com quem, tem irmãos...
- Você namora?, perguntou a mulher, seguindo o protocolo das entrevistas de emprego de hoje em dia
- No momento, não.
- E quando terminou seu último relacionamento?, insistiu a do RH
- Na verdade, ontem.
- É mesmo? Quanto tempo durou?, quis saber ainda a entrevistadora.
Ela, então, cruzou as pernas para o outro lado, abriu a bolsa e tirou dela uma cigarreira de metal. Abriu, puxou um cigarro, que colocou na boca, ignorando os sinais de “Proibido fumar” da saleta. Acendeu, deu uma tragada longa e prendeu o fôlego antes de responder à pergunta. Soltou lentamente a fumaça e, só então, olhou para a mulher do RH, que já a olhava com os olhos arregalados. Respondeu lentamente, saboreando cada palavra:
- Três intensas e longas horas.
*Saiba quem é Marcela aqui.
sábado, 10 de abril de 2010
De Coalhados Dies
Terminada a leva das músicas Anos 60, o vocalista - devidamente vestido com sua indumentária calça coladinha, camiseta coladinha e suspensório - deu o famigerado grito:
- Quem gostou faz barulhoooo!!!, ao que muitas pessoas responderam entusiasmadas.
Lembro de, nessa hora, ter pensado "Ainda bem que tem gente que faz isso por mim, assim a gente evita um momento constrangedor na festa", enquanto colocava meu copo de maracujança já vazio em cima da mesa.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Esquilo!
Esse domingo, depois de passar muito tempo não fazendo nada com o Otavio, decidimos ver um filme. Final de domingo, chuva lá fora, escolhemos “Up”, da Pixar. Uma das melhores cenas é quando os cães reunidos perdem completamente o foco do assunto que estão conversando – sim, os cães do filme conversam – por causa de um esquilo que passa.
Hoje revi a cena, mas ao vivo, e o esquilo era eu. Voltando do trabalho, passei por uma rodinha de “homi”. Eram uns três ou quatro, não sei ao certo. Eles estavam conversando bem animadamente sobre alguma coisa que eu não sei o quê. Mas bastou eu passar pela rodinha para eles pararem imediatamente o assunto e olharem para mim, todos ao mesmo tempo, virando a cabeça à medida em que eu passava. Nenhum deles disse nada, mas todos entenderam que naquela hora eles deveriam olhar a mocinha que estava passando.
Normalmente, eu teria ficado revoltada, me sentindo ultrajada. Mas lembrei da cena do filme, dos cães, do esquilo. E ri, sozinha na rua, gargalhei, mandei mensagem pro Otavio. Ainda estou pensando sobre essa cumplicidade masculina. Como eles sabem que o interesse geral é olhar a mocinha e não continuar a conversa? Isso nunca aconteceria em uma roda de mulheres. No máximo, se o cara que passasse na frente da roda fosse unanimemente bonito, todas elas olhariam e começariam a comentar animadamente depois que o tal cara passasse.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
O conto do sofá molhado
É claro que, imediatamente após a chegada dos móveis novos, Hamlet – seu cachorro – “estreou” os sofás. Mijou no pé de um e na almofada – sim, ele era de fato uma praga – de outro. Assim que ela descobriu, tirou a almofada, colocou debaixo da torneira, lavou com Ariel líquido, enxaguou bem e colocou ao ar livre para secar. No domingo de manhã, a almofada até tomou um solzinho de leve, já que a chuva havia cessado. Seca, ela recolocou a almofada em seu mais novo reduto, o sofá de três lugares.
Depois de encontrar uma amiga para um lauto café da manhã e tendo descoberto que não precisaria mais hospedar um amigo que chegaria naquele dia, a moça decidiu que o resto do domingo seria passado... no sofá, claro. Colocou a caminha B de Hamlet aos seus pés e ali ele deitou para curtir a domingueira junto com sua diligente dona.
Ela começou a ver um filme no computador e, em um determinado momento, já tendo digerido o café da manhã, saiu para pegar um lanche. Hamlet, que normalmente vai atrás de quem se levanta no matter where a pessoa esteja indo e fazer o quê, nem se preocupou em saber para que ela havia se levantado. A moça foi à cozinha, pegou o pacote de biscoitos e voltou para o sofá. Rápido assim: uns trinta segundos, no máximo. Ao chegar de volta na sala e se deitar, sentiu um molhado em seu joelho. “Filho da p*ta! Mijou aqui de novo”, pensou ela sobre Hamlet, já que ela é uma moça sem meias palavras. Cheirou a mancha e, para sua surpresa, o cheiro que vinha dela era de Ariel líquido. Ou seja, não era xixi, era água.
Estava chovendo, mas a janela estava fechada. Ela, então, ignorando o fato de que acima de sua cabeça havia a laje do terraço de sua própria casa, olhou para cima, para se certificar de que não havia goteiras – neste caso, corredeiras, pois o molhado no sofá era grande demais para uma gota – mas encontrou o teto seco, assim como a cortina. A água havia simplesmente brotado do sofá e isso havia acontecido enquanto ela havia ido à cozinha.
“E daí?” E daí que está criado o mistério. Se não havia sido Hamlet, nem a água que veio da janela e nem um derramamento do teto do apartamento, não havia explicação cabível para aquela água. Para se conformar, a moça elaborou algumas hipóteses, que foram inclusive apoiadas por seu namorado: gremlins; duendes; gnomos; bruxaria; fantasmas que vieram juntamente com os sofás, e esse foi o real motivo pelo qual sua prima se livrou deles. Preferiu parar de pensar no assunto para não conviver com a angústia de ter esse mistério não solucionado em sua vida. E, no caso de a mancha molhada ser mesmo efeito de algo de outro mundo, já se resignou que conviverá bem com a criatura, seja ela qual for. Afinal, ela já convive com Hamlet mesmo...
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
10 coisas legais de se ter um trabalho
1)Ganhar salário, vale transporte e vale refeição
2)Conhecer gente nova e fazer novos contatos
3)Ter um computador só meu no trabalho e, mais, ter minha própria mesa, mesmo que pequenininha
4)Poder levar minha caneca, minha garrafinha térmica e minha caixinha de chás e deixar lá para usar quando eu quiser
5)Ter um porta retrato bonito com uma foto legal para olhar quando estiver de saco cheio
6)Eventualmente, receber horas extras!
7)Poder assinar o netmovies.com, porque agora eu vou ter onde entregar o filme
8)Dar o endereço do trabalho quando comprar coisas pela internet, porque lá sempre vai ter gente para receber o pacote
9)Descobrir lojas, restaurantes, bares e lugares legais em geral que são perto do trabalho
10)Ocupar seu tempo com alguma coisa produtiva e ganhar experiências legais com isso
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Novamente, Tim
Eu estava na quinta-série na época – vai saber como se chamaria isso hoje em dia, depois de tantas reformas e trocas de nomes das séries. Tinha 11 anos. Cada turma deveria fazer uma homenagem a esse diretor que era realmente muito bom e estava para se aposentar. A professora, com a sensibilidade de um javali, não conseguiu pensar em nada e perguntou à turma se alguém tinha uma sugestão. Eu, então, sugeri que a gente cantasse “Gostava tanto de você” em coro. Já de cara, a recepção não foi bem do jeito que eu esperava:
- Que música é essa?, perguntaram não só os meus colegas de sala, como também a professora, de Português, diga-se de passagem.
- É aquela que fala “Não sei por que você se foi, tantas saudades vou sentir...”, do Tim Maia!, respondi provavelmente com tom de obviedade.
A professora perguntou então se alguém poderia pesquisar a letra – lembrando que quase 15 anos atrás não existia a internet no mundo das pesquisas escolares – para nós começarmos a ensaiar no dia seguinte. Novamente, eu levantei a mão:
- Professora, eu sei a letra de cor! Se quiser, posso anotar agora e a gente começa a ensaiar hoje mesmo.
Ainda lembro da cara de espanto dela e dos meus colegas de sala, que não entendiam como eu podia saber a letra de uma música que tinha praticamente a minha idade (mal sabiam eles que, nessa época eu também já sabia de cor “Tiro ao Álvaro, de João Sabiá). Na época, não entendi o motivo das caras esquisitas e simplesmente peguei uma folha de caderno e me pus a passar a letra da música para o papel.
Hoje, escutando “Gostava tanto de você” no rádio e me lembrando do repertório de Tim Maia, concluí duas coisas: que aquela professora tinha a cultura pop de uma britadeira; e que Tim Maia deveria ser conteúdo obrigatório nas escolas. Todo vertebrado deveria saber de cor as letras de “Acenda o farol”, “Réu confesso”, “Descobridor dos sete mares”, “Azul da cor do mar”, “Você” e “Primavera”. Só para começo de conversa. E para os que, como eu, são fãs:
PS: Ainda pensando sobre o assunto, me veio à cabeça: “mas também, em um país em que a maioria da população não sabe nem a letra do hino nacional, querer que cheguem a saber Tim Maia talvez seja um pouco demais...”
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Balanço de fim de ano
- Formaturas: 2
- Estágios: 2
- Amigos reconquistados: 12
- Amigos perdidos: 1
- Cachorros comprados: 1
- Namoros desfeitos: 0
- Brigas com o namorado: incontáveis (mas feias mesmo foram só umas duas ou três)
- Móveis na sala de casa: 0 (considerando que borboleta de origami não conta como móvel)
- Receitas incorporadas ao menu pessoal: 2 (boas!)
- Quilos perdidos: 6
- Quilos ganhados: 2
- Dias de férias: 2
- Viagens realizadas: 5 (pro Rio, só conto a do Carnaval, que foi de moto. As outras não valem)
- Outros: comecei a estudar Espanhol e a fazer capoeira, comprei o pacote de depilação a laser e tive a Laura - amiga italiana - morando comigo por quatro meses.
Saldo: positivo