Para quem junta aquele monte de coisinhas em seus armários físicos, mentais, sentimentais. E para organizar meu próprio armário, que guarda mais e mais coisas a cada dia.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Em japonês
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Partida
No último feriado, de 1 de maio, viajei para a casa dos meus pais. Fui sem o Namo, porque tinha o objetivo de ser algo que não tenho sido muito ultimamente: filha. Com Papis e Mamãe morando longe, tenho sido muito dona-de-casa, estagiária, namorada, amiga algumas vezes, mas tenho sido bem pouco filha. Assim, fui. Sozinha, com minha mochila enorme e uma revistinha para passar a hora no avião.
O feriado correu tranquilo. Familiar. As regalias que pai e mãe nos proporcionam não valem só por serem regalias. Valem por serem uma forma de carinho, tão típica de pais. Fizemos coisas que costumávamos fazer alguns anos atrás, como sair para alguma cidade perto para dar um passeio e almoçar alguma coisa diferente e gostosa. A bola da vez foi Cabo Frio, que eu não conhecia. Também usei e abusei dos colos de papai e mamãe, e quase me senti com 17 anos novamente.
Algumas coisas nunca mudam. Outras, sim. A volta para casa caiu no dia da final dos torneios estaduais de futebol. No Rio, Botafogo x Flamengo. Um clássico. Na minha casa, nunca se acompanhou futebol. Meu pai sempre foi muito nerd para gostar de futebol, e meu tio, irmão dele, muito desregrado e perna-de-pau para jogar. E, não jogando, não gosta. A única a gostar de futebol é minha prima, de 14 anos. Torce loucamente pelo Botafogo. Por influência dela, acabamos acompanhando um pouquinho mais o esporte.
Meu voo para casa era às 19:19, por isso tivemos que sair de casa justamente no horário do jogo. Pudemos ver quase o primeiro tempo todo em casa. O segundo, fomos ouvindo no rádio do carro. Jogo eletrizante, mesmo para quem não gosta nem acompanha futebol. O Flamengo havia feito dois gols, e já não acreditávamos que o Botafogo tivesse a chance de ser campeão. Foi quando o Bota fez dois gols em questão de cinco minutos ou menos. A partida terminou empatada, a final do Campeonato Carioca ficaria para os pênaltis.
Chegamos ao aeroporto justamente no intervalo para a cobrança dos lances, e ainda estávamos muito adiantados para eu pegar meu voo. Sugeri que ficássemos no carro para continuar escutando o jogo na Rádio Globo (com eco no “ô-ô-ô”), mas meu pai não gostou muito da ideia. Como ele também queria ver o final do jogo, ele mesmo sugeriu que procurássemos uma televisão dentro do Santos Dumont. Não tinha. Fomos até a guarita dos seguranças do estacionamento do aeroporto, que estavam assistindo à partida em uma televisãozinha portátil em preto-e-branco.
Senhor, para embarque é só seguir até o final do corredor e virar à esq...
Já começaram os pênaltis?, perguntou meu pai, com seu jeitão seco e de poucos amigos.
O segurança respondeu que não meio ressabiado, e perguntei a ele se podíamos terminar de assistir ao jogo ali. Solícito, como a maioria dos cariocas, ele respondeu que sim, e ficamos comentando o jogo enquanto os times se preparavam para a cobrança dos pênaltis.
Outro grupinho de pessoas se juntou a nós, tentando ver alguma coisa na telinha de cinco polegadas. Foi nessa hora que eu me dei conta da situação em que estava. Meu pai, minha mãe e eu, que nunca havíamos gostado nem acompanhado futebol, esperando para assistir ao fim de uma partida em uma televisãozinha nanométrica num estacionamento mal iluminado de aeroporto, junto com outras dez pessoas e alguns morcegos. Olhei para meu pai e para minha mãe, com os olhos vidrados na telinha. Sorri, percebendo que a gente aina pode se surpreender com as pessoas mesmo depois de tantos anos de convivência.
O jogo? Terminou 4 a 2 para o Flamengo. E eu peguei meu voo para casa.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Considerações, aforismos e afins
I feel nautious with people's vulgarity.
Como é tênue uma relação de amizade, e como é fácil desprezá-la em prol de outros interesses. Seria a amizade, enfim, uma relação puramente de interesses, podendo ser descartada tão logo sejam atingidos os objetivos almejados?
É triste sentir-se sozinho, mais ainda quando cercado de pessoas que você conhece, e que te conhecem bem.
A rotina é uma espiral sem fim. Um redemoinho no mar: por mais que você consiga respirar fora dele por alguns segundos, logo ele te engole novamente, e você nem se dá conta.
A paixão é egoísta na mesma proporção em que o amor é cego.
“O trabalho enobrece o homem”. Deve-se, ainda, avaliar se é melhor morrer nobre e enfadonho, ou um divertido plebeu.
Descobri, recentemente, que a mais perigosa droga é o padrão de vida.
Como saber quem te trata como opção, para que você não o trate como prioridade?
Cansei de estar ali para quem não está nem aí.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Eis que...
Mas aconteceu! Finalmente! Não do jeito que você havia imaginado, mas mesmo assim o dia chegou!
E só então você percebeu que não era bem isso que você queria.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
sábado, 21 de março de 2009
... pois já vai terminando o verão, enfim
Música melancólica, de fim de verão. Dê play no vídeo enquanto lê.
Há muitos dias tenho desejado que o verão acabe e o inverno chegue logo, com suas temperaturas amenas e seus dias de frio seco, sem chuva.
Ontem começou oficialmente o outono. Já no primeiro dia, trouxe para a minha casa aquele vento característico, forte e denso. Me remeteu a um período que não sei bem qual é, mas abriu em mim aquele buraco perto do estômago. Me senti sozinha, quis colo. Quis minha mãe, que está mais longe do que de costume. Quis o barulho das chaves do meu pai, abrindo a porta de casa mais ou menos às oito e meia da noite. Lembrei de uma época feliz, mas que me trouxe um desconforto grande depois. Senti esse desconforto.
Achei que fosse gostar do dia em que acabasse o verão. Mas o vento de outono trouxe também uma grande melancolia.
quarta-feira, 11 de março de 2009
O Armário pergunta
Pelo que pareceu, chegou aos 48 minutos do segundo tempo de uma partida que só ela estava jogando. Entrou na loja, colocou os óculos escuros de hastes douradas na cabeça, balançou os cabelos compridos e alisados. Queria uma torta pequena. Assim, de sopetão, a única opção era uma tortinha de amendoim, para cerca de dez pessoas.
- Não tem menooor??
- Não... no momento só temos essa... - respondeu o balconista.
Resignou-se em levar aquela mesmo, e pediu um refrigerante grande. O balconista lhe apresentou uma garrafa PET de Kuat, que não era “Zero”.
- Só tem eeesse??, perguntou a Perua apressada e com ares que ficavam entre a indignação e o desprezo.
- É... grande só temos esse mesmo...
Aparentemente atrasada para algo im-por-tan-tís-si-mo, a perua aceitou o Kuat que não era “Zero”. Dispensou a sacolinha plástica – atitude legal, reconheço – e colocou a garrafa em uma bolsa de pano estampada de bolinhas, que quase jogou em cima da empregada-uniformizada-de-branco.
Visivelmente apressada, ela abriu sua maxibolsa, balançou os cabelos mais uma vez e perguntou onde ela pagava a compra. O balconista indicou o caixa, que estava a uns três passos da perua. Sacando do cartão de créditos, ela perguntou, alto, dentro da confeitaria:
Quê que eu falo???
E aqui, estimado leitor, eu pergunto: o que ela fala?
Opção 1 – Estou levando 1,5 kg de músculo e 2 kg de moela. Quanto dá?
Opção 2 – Meu marido me trocou por duas de vinte... legítimas!
Opção 3 – Oooooiii, Fulana! Preciso de um looosho de massagem hoje! Você tira aquele resto de mousse da mesinha pra eu deitar?
Opção 4 – São 300 ml de silicone, uma lipo na região abdominal e um retoque no nariz. Posso dividir no cartão?
Opção 5 – Empregada-uniformizada-de-branco, liga pro meu analista. Agora!
Vote, dê sua opinião! A resposta preferida pelos leitores será afixada na vitrine da confeitaria para auxiliar a perua em suas próximas compras de torta-e-refrigerante.