sábado, 10 de abril de 2010

De Coalhados Dies

Ontem foi a festa de formatura da Lu, da Sula e do Otavio, que se formaram em uma das turmas mais legais da Comunicação nessa nossa geração de Fafich. Como em toda festa de formatura que se preze, teve banda - claro. E a banda era bem performática (leia-se: tinha dançarinos de axé vestidos de colegial dançando Grease com as dançarinas de vestido brilhoso e um tiozinho que encarnou o policial em YMCA).

Terminada a leva das músicas Anos 60, o vocalista - devidamente vestido com sua indumentária calça coladinha, camiseta coladinha e suspensório - deu o famigerado grito:

- Quem gostou faz barulhoooo!!!, ao que muitas pessoas responderam entusiasmadas.

Lembro de, nessa hora, ter pensado "Ainda bem que tem gente que faz isso por mim, assim a gente evita um momento constrangedor na festa", enquanto colocava meu copo de maracujança já vazio em cima da mesa.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Esquilo!

Esse domingo, depois de passar muito tempo não fazendo nada com o Otavio, decidimos ver um filme. Final de domingo, chuva lá fora, escolhemos “Up”, da Pixar. Uma das melhores cenas é quando os cães reunidos perdem completamente o foco do assunto que estão conversando – sim, os cães do filme conversam – por causa de um esquilo que passa.


Hoje revi a cena, mas ao vivo, e o esquilo era eu. Voltando do trabalho, passei por uma rodinha de “homi”. Eram uns três ou quatro, não sei ao certo. Eles estavam conversando bem animadamente sobre alguma coisa que eu não sei o quê. Mas bastou eu passar pela rodinha para eles pararem imediatamente o assunto e olharem para mim, todos ao mesmo tempo, virando a cabeça à medida em que eu passava. Nenhum deles disse nada, mas todos entenderam que naquela hora eles deveriam olhar a mocinha que estava passando.


Normalmente, eu teria ficado revoltada, me sentindo ultrajada. Mas lembrei da cena do filme, dos cães, do esquilo. E ri, sozinha na rua, gargalhei, mandei mensagem pro Otavio. Ainda estou pensando sobre essa cumplicidade masculina. Como eles sabem que o interesse geral é olhar a mocinha e não continuar a conversa? Isso nunca aconteceria em uma roda de mulheres. No máximo, se o cara que passasse na frente da roda fosse unanimemente bonito, todas elas olhariam e começariam a comentar animadamente depois que o tal cara passasse.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O conto do sofá molhado

Depois de dois anos morando em uma casa cuja sala dava eco, já que a única peça de decoração/mobília era um penduricalho no lustre, a moça resolveu finalmente comprar móveis para sua sala. Comprou-os usados de uma prima e, por vários dias, ficou completely in love com os móveis, com a conquista, com sua decisão.

É claro que, imediatamente após a chegada dos móveis novos, Hamlet – seu cachorro – “estreou” os sofás. Mijou no pé de um e na almofada – sim, ele era de fato uma praga – de outro. Assim que ela descobriu, tirou a almofada, colocou debaixo da torneira, lavou com Ariel líquido, enxaguou bem e colocou ao ar livre para secar. No domingo de manhã, a almofada até tomou um solzinho de leve, já que a chuva havia cessado. Seca, ela recolocou a almofada em seu mais novo reduto, o sofá de três lugares.

Depois de encontrar uma amiga para um lauto café da manhã e tendo descoberto que não precisaria mais hospedar um amigo que chegaria naquele dia, a moça decidiu que o resto do domingo seria passado... no sofá, claro. Colocou a caminha B de Hamlet aos seus pés e ali ele deitou para curtir a domingueira junto com sua diligente dona.

Ela começou a ver um filme no computador e, em um determinado momento, já tendo digerido o café da manhã, saiu para pegar um lanche. Hamlet, que normalmente vai atrás de quem se levanta no matter where a pessoa esteja indo e fazer o quê, nem se preocupou em saber para que ela havia se levantado. A moça foi à cozinha, pegou o pacote de biscoitos e voltou para o sofá. Rápido assim: uns trinta segundos, no máximo. Ao chegar de volta na sala e se deitar, sentiu um molhado em seu joelho. “Filho da p*ta! Mijou aqui de novo”, pensou ela sobre Hamlet, já que ela é uma moça sem meias palavras. Cheirou a mancha e, para sua surpresa, o cheiro que vinha dela era de Ariel líquido. Ou seja, não era xixi, era água.

Estava chovendo, mas a janela estava fechada. Ela, então, ignorando o fato de que acima de sua cabeça havia a laje do terraço de sua própria casa, olhou para cima, para se certificar de que não havia goteiras – neste caso, corredeiras, pois o molhado no sofá era grande demais para uma gota – mas encontrou o teto seco, assim como a cortina. A água havia simplesmente brotado do sofá e isso havia acontecido enquanto ela havia ido à cozinha.

“E daí?” E daí que está criado o mistério. Se não havia sido Hamlet, nem a água que veio da janela e nem um derramamento do teto do apartamento, não havia explicação cabível para aquela água. Para se conformar, a moça elaborou algumas hipóteses, que foram inclusive apoiadas por seu namorado: gremlins; duendes; gnomos; bruxaria; fantasmas que vieram juntamente com os sofás, e esse foi o real motivo pelo qual sua prima se livrou deles. Preferiu parar de pensar no assunto para não conviver com a angústia de ter esse mistério não solucionado em sua vida. E, no caso de a mancha molhada ser mesmo efeito de algo de outro mundo, já se resignou que conviverá bem com a criatura, seja ela qual for. Afinal, ela já convive com Hamlet mesmo...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

10 coisas legais de se ter um trabalho

Segundo o Datafoda-se (ouvi essa esses dias e fiquei doida pra usar!) e o meu pai, o tempo médio de espera entre a formatura e o início do primeiro emprego varia entre três e seis meses. Acho que, em parte por sorte, em parte pela minha formação ter sido em uma boa universidade, eu esperei um mês. Foi um mês longo, produtivo, angustiado, descansado, entediado, animado, econômico, renovador, decisivo. Fiz um monte de coisas que queria fazer há tempos e percebi que vou ter que saber organizar meu tempo bem direitinho agora que vou trabalhar o dia todo e ainda continuarei sendo dona de casa. Mas esse post é para falar de 10 coisas legais de se ter um trabalho, coisas sobre as quais eu venho matutando desde segunda-feira, quando tive a boa noticia, então, lá vão:

1)Ganhar salário, vale transporte e vale refeição
2)Conhecer gente nova e fazer novos contatos
3)Ter um computador só meu no trabalho e, mais, ter minha própria mesa, mesmo que pequenininha
4)Poder levar minha caneca, minha garrafinha térmica e minha caixinha de chás e deixar lá para usar quando eu quiser
5)Ter um porta retrato bonito com uma foto legal para olhar quando estiver de saco cheio
6)Eventualmente, receber horas extras!
7)Poder assinar o netmovies.com, porque agora eu vou ter onde entregar o filme
8)Dar o endereço do trabalho quando comprar coisas pela internet, porque lá sempre vai ter gente para receber o pacote
9)Descobrir lojas, restaurantes, bares e lugares legais em geral que são perto do trabalho
10)Ocupar seu tempo com alguma coisa produtiva e ganhar experiências legais com isso

É claro que essa lista não está por ordem de importância, mas sim na ordem em que eu fui lembrando das coisas. E é claro também que existem outras coisas que podem até ser mais legais do que as que eu apontei mas, para mim, essas dez coisinhas têm o maior valor do mundo!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Novamente, Tim

Chegando ao trabalho hoje, ouvi no rádio a música “Gostava tanto de você”, do meu querido Tim Maia. Lembrei de uma vez na escola, em que sugeri essa mesma música para uma homenagem ao diretor, que estava se aposentando.

Eu estava na quinta-série na época – vai saber como se chamaria isso hoje em dia, depois de tantas reformas e trocas de nomes das séries. Tinha 11 anos. Cada turma deveria fazer uma homenagem a esse diretor que era realmente muito bom e estava para se aposentar. A professora, com a sensibilidade de um javali, não conseguiu pensar em nada e perguntou à turma se alguém tinha uma sugestão. Eu, então, sugeri que a gente cantasse “Gostava tanto de você” em coro. Já de cara, a recepção não foi bem do jeito que eu esperava:

- Que música é essa?, perguntaram não só os meus colegas de sala, como também a professora, de Português, diga-se de passagem.

- É aquela que fala “Não sei por que você se foi, tantas saudades vou sentir...”, do Tim Maia!, respondi provavelmente com tom de obviedade.

A professora perguntou então se alguém poderia pesquisar a letra – lembrando que quase 15 anos atrás não existia a internet no mundo das pesquisas escolares – para nós começarmos a ensaiar no dia seguinte. Novamente, eu levantei a mão:

- Professora, eu sei a letra de cor! Se quiser, posso anotar agora e a gente começa a ensaiar hoje mesmo.

Ainda lembro da cara de espanto dela e dos meus colegas de sala, que não entendiam como eu podia saber a letra de uma música que tinha praticamente a minha idade (mal sabiam eles que, nessa época eu também já sabia de cor “Tiro ao Álvaro, de João Sabiá). Na época, não entendi o motivo das caras esquisitas e simplesmente peguei uma folha de caderno e me pus a passar a letra da música para o papel.

Hoje, escutando “Gostava tanto de você” no rádio e me lembrando do repertório de Tim Maia, concluí duas coisas: que aquela professora tinha a cultura pop de uma britadeira; e que Tim Maia deveria ser conteúdo obrigatório nas escolas. Todo vertebrado deveria saber de cor as letras de “Acenda o farol”, “Réu confesso”, “Descobridor dos sete mares”, “Azul da cor do mar”, “Você” e “Primavera”. Só para começo de conversa. E para os que, como eu, são fãs:





PS: Ainda pensando sobre o assunto, me veio à cabeça: “mas também, em um país em que a maioria da população não sabe nem a letra do hino nacional, querer que cheguem a saber Tim Maia talvez seja um pouco demais...”

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Balanço de fim de ano

Vou fazer meu balanço de 2009 agora, porque sei que amanhã não vai dar tempo. E, se a Globo pode fazer a Retrospectiva dela hoje, eu também posso!

- Formaturas: 2

- Estágios: 2

- Amigos reconquistados: 12

- Amigos perdidos: 1

- Cachorros comprados: 1

- Namoros desfeitos: 0

- Brigas com o namorado: incontáveis (mas feias mesmo foram só umas duas ou três)

- Móveis na sala de casa: 0 (considerando que borboleta de origami não conta como móvel)

- Receitas incorporadas ao menu pessoal: 2 (boas!)

- Quilos perdidos: 6

- Quilos ganhados: 2

- Dias de férias: 2

- Viagens realizadas: 5 (pro Rio, só conto a do Carnaval, que foi de moto. As outras não valem)

- Outros: comecei a estudar Espanhol e a fazer capoeira, comprei o pacote de depilação a laser e tive a Laura - amiga italiana - morando comigo por quatro meses.

Saldo: positivo

domingo, 27 de dezembro de 2009

Delicadeza de Natal

Tudo começou com as etiquetas dos pijamas. Quando eu era pequena, minha mãe me colocava no colo para me ninar à noite, já de pijamas, e eu esfregava a etiqueta da roupa dela enquanto chupava o polegar esquerdo. Mas, como minha mãe trabalhava fora o dia inteiro e eu ficava com meus avós, Vô Zé me comprou um lenço de seda indiano para eu esfregar enquanto chupava o dedo.

Durante todos os anos em que chupei dedo - acho que parei com uns sete ou oito - foram, talvez, dezenas de “lencinhos" que eu esfregava até puir um tecido no outro. A perda de um lenço era como a perda de um ente querido. Ainda me lembro da vez em que um deles voou da janela do carro na ponte Rio-Niterói. Fiquei sem dormir aquela noite porque não queria o lenço que minha mãe já tinha de reserva em casa. Queria o meu lencinho que tinha voado na ponte.

Com o passar do tempo, eu comecei a usar aparelho, parei de chupar dedo, comecei a ter vergonha da mania, adquiri outras tantas manias e o lencinho – sem seu fiel companheiro Polegar Esquerdo – também acabou caindo em desuso na minha vida.

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Ontem fui à casa dos meus avós paternos – Vó Mana e Vô Zé. Minha avó já havia me dado seu presente de Natal: uma colcha de retalhos! Já meu avô, velhinho, não havia me dado nada. Ele me viu deitada no sofá, assistindo ao Caldeirão do Hulk na tv e, magrinho, achou um lugar para se sentar ao meu lado. Olhou para mim com aquela cara sorridente que ele sempre tem e falou:

- Raquel, me faz um favor??

- Claro, vô. Pode falar, respondi

- Mas faz mesmo??? - Confirmou ele, pegando alguma coisa no bolso

- Faço, pode falar, respondi já imaginando ter que ir à padaria comprar um refrigerante ou coisa parecida

- Toma esse dinheiro e compra um “lencinho” pra eu te dar de Natal! - disse Vô Zé com a cara mais marota que se pode esperar de um senhor de quase 80 anos

Fiquei comovida com o gesto delicado e, ao mesmo tempo bem humorado do meu avô. Me surpreendi com sua presença de espírito, para mim, atípica em uma pessoa próxima das oito décadas de vida.

O “lencinho” se transformou em uma calça saruel de malha que fiz questão de mostrar para ele.

- Aqui, vô, o presente que você me deu de Natal!

- Ihh! Buniiita!

Meu avô é uma gracinha.