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terça-feira, 13 de março de 2012

Causa mortis: enfado


- Sabe da Raquel? Morreu.

- Como assim, morreu? Vi ela outro dia, ela tava ótima, feliz, trabalhando em dois lugares! Morreu de quê?!

- Morreu de saco cheio, num engarrafamento.

- ?

- Disse que ela estava indo pro segundo trabalho dela, já de noite, num dia de chuva e de greve de ônibus. Aí, quando chegou na Timbiras com São Paulo, ela demorou 13 minutos pra chegar até a Álvares Cabral, que são dois quarteirões, né!

- Nooossa, e ainda teve que ficar fazendo controle de embreagem naquela ladeira que é quase em pé?!

- Éee! Aí disse que o saco dela encheu tanto que ela acabou não resistindo.

- Caramba, morte horrível!

- É mesmo. Não gosto nem de pensar. Agora ouvi dizer que o corpo dela vai ser levado pro velório de liteira, porque de carro...


*Este texto foi todo escrito (sim, escrito, rabiscado em um caderninho) dentro do carro, com tudo parado no engarrafamento.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Novas descobertas arqueológicas feitas em Minas Gerais


Belo Horizonte (MG) se transformou, da capital dos butecos para sítio arqueológico, na última quinta-feira (12). Uma equipe de arqueólogos da Universidade de Chicago, Estados Unidos, fez uma importante descoberta no bairro Prado, região centro-oeste da cidade. Após meses de pesquisa e de trabalho intenso, os acadêmicos desenterraram uma série de objetos pertencentes à sociedade pré-tecnológica. 

Foram encontrados dois tipos de discos – um grande e preto e outro pequeno e prateado – e outros dispositivos plásticos transparentes, dentro dos quais é possível ver uma fina fita marrom brilhosa, enrolada em dois pequenos rolos. Segundo o especialista em pré-tecnologia e coordenador do grupo, Michael Jones, os objetos encontrados faziam parte dos hábitos de lazer dos homens daquela época. “De acordo com os registros escritos que temos da sociedade pré-tecnológica, podemos afirmar com certeza que os achados eram dispositivos utilizados para ouvir música”, revela. Ainda de acordo com o pesquisador, os três tipos de objetos pertencem a épocas diferentes, o que torna ainda mais significativa a descoberta do grupo. “Podemos perceber, aqui, uma evolução dos dispositivos usados para a fruição da música. Pelos nossos estudos anteriores, podemos dizer que o mais antigo é o disco grande e preto, que é de um material muito sensível; depois, vieram as caixinhas plásticas, chamadas de “fitas-k7” pela população da época; e, por fim, temos o “CD”, disco menor e prateado que, de acordo com os registros, era lido a laser”, esclarece o professor Jones.



Apesar de acostumados a lidar com relíquias pertencentes a tempos remotos e a reconstruir sociedades há muito extintas, os próprios pesquisadores se emocionaram com as descobertas recentes em Belo Horizonte. “É incrível ter um contato tão próximo com a sociedade pré-tecnológica! Já havíamos estudado seus hábitos e modos de vida, mas encontrar vestígios tão concretos e em tão bom estado é emocionante. Poder tocar estes objetos nos transporta para outra época”, declarou Marion Parker, estagiária do projeto.   

O próximo passo da pesquisa, de acordo com o professor Jones, é conseguir utilizar os dispositivos. “Todos os objetos estão em ótimo estado de conservação e acreditamos ser perfeitamente possível fazer com que funcionem”, declara. Ele conta ainda que as pesquisas agora terão foco no estudo dos aparelhos que eram utilizados para a reprodução dos dispositivos de música encontrados e na recriação dos mesmos.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

#MemeDasAntigas – Meu filme preferido em 2011




Estou atrasada, eu sei. Mas sabe como é, né: antes tarde... que mais tarde! Rs Além do mais, ontem houve vários posts do Meme das Antigas, então foi bom guardar alguma coisa para as pessoas lerem hoje (desculpa de peidorreiro mode: on).

Enfim. Hoje é dia de falar do meu filme preferido em 2011. Apesar de ter visto alguns filmes legais este ano e de ainda não ter assistido a Os Muppets ou ao A Pele que Habito, não há dúvida: o título vai para Harry Potter and the Deathly Hollows – Part II. Um filme que encerra uma história que marcou uma geração. Um filme que me faz ter uma tonelada de coisas em comum com meus melhores amigos. Um filme que traz escolhas muito acertadas de um diretor com uma sensibilidade ímpar para o clima que o livro retrata. Um filme com indiscutível qualidade técnica e estética.

Esperei para ver a última parte da saga de Harry Potter como todo pottermaníaco: com ansiedade. Próximo ao lançamento do filme nos cinemas, já sabia que seria demitida do emprego em breve. Assim, fiz da ocasião um momento solene: seria, ao mesmo tempo, o encerramento de um ciclo, uma catarse e uma homenagem à minha – de certa forma – qualidade de pessoa livre. Na minha primeira quarta-feira de desempregada, na sessão das três e pouca da tarde, lá estava eu, compartilhando com mais algumas pessoas uma sala quase vazia.

Logo no início do filme, a primeira vez que o dragão que guarda o cofre de Gringotts aparece foi a senha para que eu começasse a chorar. Daí para a frente, meu pacotinho de lencinhos de papel foi meu companheiro de filme, mais do que o balde de pipoca e o de refrigerante que havia comprado antes de entrar para a sala do cinema.

Sem saber, Harry Potter assistia comigo ao início do fim de um ciclo da minha vida.



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Este post é uma participação na blogagem coletiva do Meme das Antigas, em que vários blogueiros farão uma retrospectiva deste ano que estamos terminando. Para saber mais sobre o meme, os participantes e os futuros temas, basta acessar o Pequeno Inventário de Impropriedades (link na imagem no início deste post).

domingo, 13 de novembro de 2011

It Might Be You (ou Todos os Domingos da Minha Vida)

“Wondering how they met and what makes it last
If I found the place
Would I recognize the face?
Something's telling me it might be you
Yeah, it's telling me it might be you”

Ele vinha cantarolando a caminho de casa no domingo, já quase hora do almoço. Já estava na casa dos 70. Já não tinha mais a cabeleira que costumava usar. Na verdade, os poucos cabelos que restavam, na lateral e parte de trás da cabeça, estavam quase todos brancos. Também estava branca a barba, comprida. Continuava magro. E não abandonava a camisa xadrez de azul e branco, a calça jeans desbotada e o tênis.

Em uma mão, tinha uma sacola retornável e na outra segurava o celular. Era o celular que prendia sua atenção enquanto caminhava e cantava – bem afinadinho, apesar de não se esforçar para tal. Na telinha pequena, o envelopinho mostrava que havia recebido mensagem. Era ela, perguntando se ele já estava chegando com a batata palha e a gelatina sem sabor.

Cantarolando e respondendo à mensagem (“já saí da padaria. Por que, quer que volte para mais alguma coisa?”), pensou em quem estava em casa à espera. Ela, os três filhos – 35, 31 e 28, respectivamente – e os netos. Ele tinha netos! Três! Mas a caçula ainda morava em casa – “o dia que ela sair...”, pensou com uma pontinha de pesar. Será que eles já haviam chegado ou ela o estava apressando à toa?

Uma coisa leva à outra e ele se lembrou de coisas de mais de quarenta anos atrás. Ela não era a mais bonita. Nem a mais popular. Nem a família dela tinha dinheiro. Mas que inteligência! Que senso de humor! Que cabeça moderna para os anos ’50! Todas aquelas ideias sobre a igualdade entre os sexos, sobre a independência feminina, sobre vivermos do jeito que quisermos e não do jeito que esperam que vivamos. Era feminista, ora essa! E ele adorava. Nunca havia conhecido uma mulher tão decidida, tão confiante, tão divertida. Foi impossível não se apaixonar por tudo aquilo.

Também foi difícil aprender a conviver com tudo aquilo. Foi difícil aceitar que algumas tarefas da casa seriam dele; difícil aceitar que, sim, ela continuaria dando suas aulas; muito difícil aceitar ter tido que esperar até os 38 anos de idade para o primeiro filho, já que ela ainda queria terminar o mestrado antes de ser mãe. Mas cada aprendizado era um laço a mais que se atava entre os dois. Cada obstáculo vencido indicava que estavam fazendo um bom trabalho na empreitada que escolheram de ser uma família.

Ainda cantarolando, chegou em casa. O filho do meio já havia chegado com a esposa. A caçula – era a cópia da mãe! – terminava o livro em que estivera agarrada nos últimos dois dias. Ela – esposa, mãe, mulher, pessoa complexa mas de desejos simples – apareceu na porta da cozinha e olhou para ele por trás dos óculos com aquele ar apressado de sempre. “Traz a gelatina aqui, senão essa mousse não vai endurecer!”

Levou a sacola até a cozinha. Olhou em volta. Sentiu o cheiro da casa, das suas coisas, da sua vida. Reconheceu toda a sua história naqueles segundos. Provou um sentimento de pertença que não sabia o que era desde as lutas contra a ditadura na juventude. Olhou para ela e teve certeza, mais uma vez, de suas escolhas.

“Something’s telling me it might be you
Yeah, it’s telling me it might be you
All of my life”