Mostrando postagens com marcador vida real. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida real. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O que eu quero é sossego


Tenho vivido dentro de uma máquina de lavar, em um programa de lavagem extenso, para roupas muito sujas. Tem uns respiros no meio do caminho, claro. Alguns momentos em que consigo colocar a cabeça para fora e ver que o dia está ensolarado e a secagem vai ser rápida. Mas a verdade é que todo esse processo às vezes dá uma canseira… E aí, tudo o que eu quero é serenidade. Paz de espírito. Férias emocionais.


Meus amigos. Discos e livros. E nada mais.
a
a

sábado, 26 de maio de 2012

A vida e as Casas Bahia


Pegou seu pedaço de pizza – que havia custado R$9,00. Um mísero pedaço de pizza por nove reais! – e sentou na mesa reclamando. Sem hesitar, abriu o sachê de catchup e o espremeu no canto do pratinho de plástico. Com as mãos, começou a comer aquele pedaço de pizza – cujo sabor não justificava o preço – com catchup.

- Nossa, mas que lambança eu tô fazendo com esta pizza! Tô me sujando toda!

- Mas, também, você está cometendo a heresia de comer pizza com catchup! – respondeu a Amiga que estava à mesa com ela.

- Hmm. E eu não paro de me lambuzar. Parece que não vou mesmo ser perdoada por este pecado.

- É, esse não é o tipo da coisa pela qual se passa impune. – Constatou o outro Amigo, também à mesa.

- Pois é, aqui se faz e aqui se paga! – Falou Amiga.

- E à vista! – Atiçou Amigo.

- Não tem essa de “compre agora e só pague depois do Carnaval”, não!

- Porque, afinal, isto aqui não é a Casas Bahia, né? – concluiu ela, que havia acabado de derramar uma fatia de calabresa com catchup na camisa branca.

- É. A vida não é uma promoção das Casas Bahia.




terça-feira, 13 de março de 2012

Causa mortis: enfado


- Sabe da Raquel? Morreu.

- Como assim, morreu? Vi ela outro dia, ela tava ótima, feliz, trabalhando em dois lugares! Morreu de quê?!

- Morreu de saco cheio, num engarrafamento.

- ?

- Disse que ela estava indo pro segundo trabalho dela, já de noite, num dia de chuva e de greve de ônibus. Aí, quando chegou na Timbiras com São Paulo, ela demorou 13 minutos pra chegar até a Álvares Cabral, que são dois quarteirões, né!

- Nooossa, e ainda teve que ficar fazendo controle de embreagem naquela ladeira que é quase em pé?!

- Éee! Aí disse que o saco dela encheu tanto que ela acabou não resistindo.

- Caramba, morte horrível!

- É mesmo. Não gosto nem de pensar. Agora ouvi dizer que o corpo dela vai ser levado pro velório de liteira, porque de carro...


*Este texto foi todo escrito (sim, escrito, rabiscado em um caderninho) dentro do carro, com tudo parado no engarrafamento.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Cartão de aniversário para o Rio


Bom dia, Rio, seu gato. 

É desde sempre que tenho essa relação singular com você. Nasci aí do seu ladinho e, por mais que esteja morando em Belo Horizonte já há muitos anos, é você quem continua morando em mim, e aí me sinto em casa. Gosto da sua vibe, gosto das possibilidades que você oferece, gosto das suas praias, dos seus morros, dos corpos bronzeados que passeiam por aí, do seu Centro, seus prédios e monumentos. Te acho um gato. Lindão mesmo. Não gosto do estereótipo das suas pessoas, é verdade, mas conheço as exceções certas para me fazer ter vontade de ignorar a regra. 

Foi nos últimos meses que nosso caso ficou mais sério. Visitei você com mais frequência, te apresentei meus amigos, fiz com você programas deliciosos e aí tive momentos de alegria pura e toda a diversão que cabe em um espaço de tempo. 

Neste seu aniversário, o que eu mais desejo é passar o seu próximo ano com você. Estar aí para apreciar a sua beleza, sentir na pele o suor brotando – porque você sempre está quente no seu aniversário – olhar seu mar, sentir seu cheiro, comemorar junto. 

Coloco neste cartão uma foto sua tirada por mim, para você se lembrar dos sempre bons momentos que passamos juntos. Quem sabe assim você não me dá bola? Porque pra você, Rio, seu lindo, eu tô facinha!




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Talita

No ônibus para o trabalho, uma garotinha sentada à minha frente pedia para a mãe ler o que estava escrito no cartelete do projeto Leitura para Todos. A mãe, sem paciência, preferiu dormir a ler para a menina, que não se deu por vencida e ficou brincando com o cartaz mesmo assim.

Eu peguei meu livro – Jane Eyre, da Charlotte Bronte – e continuei minha leitura, enquanto ouvia as músicas que tinha colocado no iPod ontem. A menina do banco da frente se ajoelhou no assento e colocou a mãozinha sobre o meu livro, examinando as ilustrações da capa. Olhei para ela e ela riu um sorriso sapeca e sem dois dentes recém-caídos. Sorri de volta. Essa foi a senha de que ela precisava para começar o diálogo.

- Posso ver?

- O que você quer ver?, perguntei virando o interior do livro para ela.

- Quem é este? – ela me perguntou, apontando para uma ilustração

- Ele se chama Senhor Rochester.

- Posso ver seu livro?

Marquei a página que estava lendo e emprestei o livro para a menininha, que o folheou todo, muito interessada. Quando terminou de ver, me devolveu e voltei a conversar com ela. Se chama Talita, tem seis anos, gosta de brincar de boneca – sua preferida sendo a Júlia, que fala “Mamãe” e “papá” – e está no primeiro ano da escola, apesar de agora “estar de férias, né!” Ainda não sabe ler.

Talita ficou curiosa para saber o que eu estava ouvindo. Dei um lado do fone de ouvido para ela, que ouviu só uns quatro ou cinco acordes antes de exclamar um “Que lindo!”

- Ele se chama Louis Armstrong – expliquei vendo aquele sorrisinho faltando dentes.

Ela ficou encantada. Pegou o outro lado do fone de ouvido, que estava solto no meu pescoço, e colocou na orelha. Apreciou um pouco mais a música e me devolveu um lado do fone, para que eu pudesse ouvir aquela beleza também. Voltou a se sentar em seu banco, a Talita, com meu fone em seu ouvido. Não tive coragem de privá-la daquele prazer – até porque, um gosto por Louis Armstrong tem que ser incentivado – e fiquei sentada na beiradinha do meu banco, para que o fio do fone chegasse até ela.

Enquanto Talita ouvia música e fazia desenhos imaginários no vidro do ônibus, reparei que parecia ser uma menina pobrinha. Mulatinha, de olhos meio puxados, estava bem descabelada e com os cabelos sarará – como eu tinha quando era pequena! – presos sem cuidado em um coque no alto da cabeça. Imaginei que haviam sido presos com a mesma paciência com que a mãe lhe havia lido o cartaz do Leitura para Todos – nenhuma. As unhas tinham um resto de esmalte. Aliás, de dois esmaltes, um preto e outro vermelho. E também tinha uns machucadinhos pelo rosto. Senti uma vontade de colocar Talita no meu colo e apresentar a ela muitas outras coisas bonitas: pinturas, outras músicas, filmes, levá-la a uma orquestra.

Chegou o centro da cidade e a mãe de Talita se levantou para descer. Percebi que foi sofrido para ela se separar de Louis Armstrong, com aquele seu vozeirão bonito e seu trompete açucarado. Talita saiu correndo do banco no último momento, vendo que sua mãe já estava descendo do ônibus e ela ia ficando para trás. “Tchau, Talita!” – falei enquanto ela ia saindo. Pequenininha, se espremeu entre as pessoas em pé e pulou do ônibus que já ia começando a andar de novo. 

Recoloquei os fones de ouvido, reabri o livro e ouvi lá de longe:

- TCHAU, RAQUEEELL!!!

Olhei para fora e vi Talita abanando a mãozinha lá da calçada, com seu sorriso incompleto. Segui o caminho sentindo amor por Talita. Torci para que ela ainda tenha outros contatos com Louis Armstrong, e também com Ella Fitzgerald, Cole Porter, Miles Davis e todos os outros bons músicos deste mundo. Desejei saber o que será de Talita daqui a 20 anos – e desejo, com toda a força, que ela tenha um futuro brilhante, que não perca o interesse pelos livros e que não deixe morrer esse gosto refinado que já tem. Talita hoje tornou meu dia muito mais bonito. Mas o que me deixa feliz de verdade é saber que pude retribuir isso a ela.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Para o ano

Dezembro passou e – como se nota – o Meme das Antigas ficou pelas metades. Até pensei em fazer um parágrafo curto sobre cada tema, mas já estando em 2012 me parece estranho falar desse ano tão distante que foi 2011. Uma coisa meio cutucar a ferida, meio ler horóscopo velho, não sei. Assim, prefiro deixar o ano passado no lugar dele – o passado – e voltar meus olhos pra este 2012 tão cheio de possibilidades. A única coisa de que faço questão é da foto de mim em 2011. Sei lá, acho que vai ser legal ver isso daqui a cinco ou dez anos.

Esta sou eu, no dia do Reveillon de 2011 para 2012. De coroa de princesa, porque né?

O que o ano novo me reserva eu não sei, nem posso saber. Mas espero que, no próximo dezembro, o saldo seja positivo. E também posso fazer por onde esse saldo ser positivo. Assim, seguem as minhas propostas (to achando muito clichê já essa coisa de resoluções de ano novo) para este ano:

1 – Beber mais água (pelo menos, um litro por dia)
2 – Comer pelo menos uma fruta por dia
3 – Fazer pelo menos duas viagens a São Paulo
4 – Arrumar um emprego que me pague o que eu quero
5 – Voltar a fazer atividade física (de preferência, capoeira, ou dança + academia)
6 – Ler, pelo menos, cinco livros
7 - Me manter na faixa dos 59kg
8 – Reaprender a comer devagar
9 – Ir mais ao Rio (se não for morar no Rio)
10 – Curtir as novidades

É isso. Dez propostas para mim mesma, todas bem objetivas e realizáveis, basta eu querer. 2012, querido, estou apostando em você todo o resto da conta do meu sucesso, ok? E agora, bola pra frente!

sábado, 17 de dezembro de 2011

#MemeDasAntigas – Meu melhor dia de 2011




Entra ano, sai ano e a vida não para de surpreender a gente, não é mesmo? 

Quando foi dia 24 de setembro, eu resolvi que queria ir ao Rock in Rio, dali a uma semana exata. Só tinha um pequeno porém: os ingressos haviam esgotado cinco meses antes. Uma conversa com um amigo que também queria ir e também estava sem ingresso foi o gatilho para a minha vontade virar força de vontade. A partir daí, comecei uma busca doida não por um, mas por dois ingressos para o Rock in Rio! 

Eu de cá e ele de lá, tentamos todos os métodos que podíamos: páginas no Facebook, amigos de amigos, sites na internet, agências de viagem. Cheguei a pensar em comprar R$300 de Coca-Cola no Martplus para ganhar dois ingressos. Mesmo sem o bendito na mão, na quarta-feira comprei minhas passagens de ida e volta – de ônibus, para poder cancelar com até três horas de antecedência da viagem sem pagar taxas, caso fosse necessário.   

Foi só na quinta-feira (dois dias antes do evento, vale ressaltar) que eu finalmente consegui os ingressos, da prima de uma amiga de uma amiga, que havia desistido de ir. E a melhor parte: não por R$600 como algumas pessoas estavam cobrando, mas por bem pouco mais do que os preços originais, que haviam sido vendidos seis meses antes. Na quinta à noite enviei uma mensagem para meu amigo, confirmando que estava com os ingressos na mão. “Você é sinistra” foi a resposta (que eu adorei). 

Sexta-feira era o dia da viagem. Mas antes, eu tinha uma dinâmica de grupo de um processo seletivo para uma vaga de trainee que eu estava fazendo. Não passei na dinâmica, mas conheci uma menina que também estava indo para o Rock in Rio no dia seguinte. Como se não bastasse a coincidência, ela ainda era uma menina muito legal! Trocamos telefones e ficamos de nos encontrar lá. Ela, o namorado e os amigos seriam minhas companhias, já que meu amigo só iria chegar bem mais tarde. 

Esse dia do Rock in Rio não tinha nada de rock, mas tinha um monte de coisas que eu queria ver. Jorge Drexler, Erasmo Carlos, Frejat, Skank, Maroon 5 e Coldplay era o que fazia meus olhos brilharem.
Peguei o ônibus na rodoviária de BH de pilequinho, porque havia passado na despedida do Bonde da Índia e tinha tomado duas caipirinhas. Ou seja: dormi a viagem inteira. Cheguei no sábado de manhã e foi o tempo de dar uma descansada, tomar banho, almoçar e sair para a Cidade do Rock. Meu amigo havia me dado todas as instruções de como chegar lá de ônibus comum – e não o especial do Rock in Rio, pelo qual estavam cobrando R$35 – e eu, como por milagre, acertei o caminho todo!

Depois de três horas e meia, cheguei à Cidade do Rock. Dava para ter chegado a Juiz de Fora, mas cheguei na Cidade do Rock e justamente a tempo de pegar o inicinho do show do Jorge Drexler. Artista uruguaio, pouco conhecido no Brasil, dividindo o palco com Tiê. Consegui ficar bem perto do palco e pude ver até os cabelos brancos do músico. Cantei Todo Se Transforma como se não houvesse amanhã.

Apesar de meio descrente que ela fosse mesmo querer me encontrar, liguei para a menina da dinâmica de grupo e qual não foi minha surpresa quando nós, de fato, nos encontramos no meio daquele infinito de pessoas! Surpresa maior ainda quando descobri que não só ela era muito legal, mas o namorado dela também e os amigos também! Passei com eles a tarde, até a hora de encontrar meu amigo atrasado.
A essa hora, os shows do Palco Mundo já haviam começado. Com Frejat, cantei todas as músicas; com Skank, tirei a camisa e rodei, junto com a galera; teve Maná; e aí veio o Maroon 5 e, com ele, o Adam Levine e sua irresistível presença de palco. Ninguém diria que não eram a atração principal. Aliás, para mim, eram. Mas, de bônus, a noite ainda reservava o show do Coldplay, com o qual me surpreendi. Juro que não esperava tanto espetáculo. Eram lasers, telões, balões e tudo sendo visto por uma horda de fãs extasiados, que cantavam cada pedacinho da música. Para encerrar, Every Teardrop is a Waterfall, que colocou uma coroinha dourada no meu Rock in Rio 2011.

O dia já estava bom demais como estava, mas o destino ainda não tinha se cansado de me ajudar. Amigo e eu estávamos prontos para caminhar durante horas e horas e pular de transporte público em transporte público até terminarmos exaustos e felizes em nossas casinhas, quando aparece uma van – até hoje acho que era clandestina – com exatamente dois lugares, indo exatamente para onde precisávamos e pelo mesmo valor que iríamos gastar do jeito mais difícil. 

Meu sábado de Rock in Rio terminou no domingo, às nove da manhã, ainda comigo sem acreditar no que havia sido aquela semana. O dia 01 de outubro não foi espetacular somente por causa do Rock in Rio e seus ótimos shows. Aliás, acho até que isso foi secundário. O que faz desse dia especial foi toda a conjunção de fatores que fez com que tudo desse certo e a realidade fosse ainda melhor que o planejado; foi a nova amiga que fiz, em circunstâncias nada prováveis; foram as minhas companhias para esses shows; foi as coisas terem saído exatamente como eu queria que tivessem sido. O que fez do dia 01 de outubro o melhor de 2011 foi perceber que, sim, life’s a bitch. Mas às vezes ela pode te dar bola.

--------------

PS: Se você leu este texto até aqui, muito obrigada! Sofro de verborragia e algumas vezes sinto dificuldade em controlar minha síndrome. 

PPS: Meme das Antigas. Já sabe, né? Clica na imagem no início do post para saber detalhes, postagens futuras, participantes e coisetal.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

#MemeDasAntigas – Meu pior dia de 2011

 
13 de novembro de 2011. Ele havia marcado de ir na minha casa buscar o restante das coisas dele que ainda estavam lá. A televisão que ele tinha comprado pra gente, o home theatre, algumas roupas, coisas da moto... Não que esse dia tivesse chegado como uma total surpresa. Aliás, o dia 13 foi, na verdade, o desfecho de uma tragédia anunciada.

O primeiro sinal veio quando, depois de voltar de viagem, encontrei ele cheio de dúvidas e inseguranças, querendo dar um tempo. Tantas tinham sido as nossas tentativas sem sucesso de nos acertar e de aparar as arestas que concordei que valeria a pena tentarmos mais isso. Mas ele mudou de ideia. Depois eu mudei de ideia e, no meio de tantos desencontros, o que se desencontrou foram os interesses. Durante o tempo que demos, percebemos que não estávamos mais nos fazendo felizes, por mais que passássemos ótimos momentos juntos e que sentíssemos um carinho infinito pelo outro. Mas, de repente, não conseguíamos mais atender às expectativas que tínhamos. De repente, não era mais suficiente. 

Ele chegou e, antes de começar a recolher os pertences, começamos a conversar. Ele sentado em um sofá, eu no outro. Que estranha aquela falta de intimidade com alguém que, semanas antes, dividia comigo a cama, o copinho das escovas de dentes, as compras do supermercado, a vida. Que vazio.

Foi ele quem começou a falar. Me disse um monte de coisas de cuja conclusão foi “é melhor a gente terminar esse namoro”. Concordei. Concordei com tudo e com a conclusão também. O que mais me doeu foi que, depois de anos, estávamos enfim de acordo sobre alguma coisa: era melhor terminar aquele namoro.

Racional como sou, achei que as coisas fossem ser mais fáceis. Achei que a dor fosse ser menor. Achei que, sabendo que estávamos fazendo o melhor para nós dois, fosse conseguir lidar com mais facilidade. Mas quando atinei, estava com a cara inchada de tanto chorar, nariz entupido, cabeça doendo. Não acompanhei ele até a garagem. Ajudei a carregar as coisas até o elevador, fechei a porta e abracei o Otelo. Falei pra ele que “agora somos só você e eu, viu, preto”. Terminei o dia cortada ao meio.


 --------------------


PS: Dividi o post de hoje do Meme das Antigas (que, originalmente, era o melhor e o pior dia de 2011) porque, por não ter falado desse assunto antes, achei que ele merecia um tratamento especial e, colocá-lo junto com o melhor dia tornaria o post muito longo. Além disso, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. :)



PPS: Mais detalhes sobre o Meme e os temas futuros, junto com as datas, no blog do Max (é só clicar na imagem no início do post).

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

#MemeDasAntigas – Meu filme preferido em 2011




Estou atrasada, eu sei. Mas sabe como é, né: antes tarde... que mais tarde! Rs Além do mais, ontem houve vários posts do Meme das Antigas, então foi bom guardar alguma coisa para as pessoas lerem hoje (desculpa de peidorreiro mode: on).

Enfim. Hoje é dia de falar do meu filme preferido em 2011. Apesar de ter visto alguns filmes legais este ano e de ainda não ter assistido a Os Muppets ou ao A Pele que Habito, não há dúvida: o título vai para Harry Potter and the Deathly Hollows – Part II. Um filme que encerra uma história que marcou uma geração. Um filme que me faz ter uma tonelada de coisas em comum com meus melhores amigos. Um filme que traz escolhas muito acertadas de um diretor com uma sensibilidade ímpar para o clima que o livro retrata. Um filme com indiscutível qualidade técnica e estética.

Esperei para ver a última parte da saga de Harry Potter como todo pottermaníaco: com ansiedade. Próximo ao lançamento do filme nos cinemas, já sabia que seria demitida do emprego em breve. Assim, fiz da ocasião um momento solene: seria, ao mesmo tempo, o encerramento de um ciclo, uma catarse e uma homenagem à minha – de certa forma – qualidade de pessoa livre. Na minha primeira quarta-feira de desempregada, na sessão das três e pouca da tarde, lá estava eu, compartilhando com mais algumas pessoas uma sala quase vazia.

Logo no início do filme, a primeira vez que o dragão que guarda o cofre de Gringotts aparece foi a senha para que eu começasse a chorar. Daí para a frente, meu pacotinho de lencinhos de papel foi meu companheiro de filme, mais do que o balde de pipoca e o de refrigerante que havia comprado antes de entrar para a sala do cinema.

Sem saber, Harry Potter assistia comigo ao início do fim de um ciclo da minha vida.



______________________

Este post é uma participação na blogagem coletiva do Meme das Antigas, em que vários blogueiros farão uma retrospectiva deste ano que estamos terminando. Para saber mais sobre o meme, os participantes e os futuros temas, basta acessar o Pequeno Inventário de Impropriedades (link na imagem no início deste post).

sábado, 3 de dezembro de 2011

#MemeDasAntigas – Mas 2011 ainda não acabou, ainda vou tentar...



Sete anos de namoro. Sete anos sem sair pra balada para dançar porque o então namorado não curtia esse tipo de programa e, apesar de nunca ter ligado que eu fosse sem ele, minha opção sempre acabava sendo abrir mão da balada e ficar na companhia dele. Eis que ontem resolvi retomar minha vida de jovem solteira e fui pra buátchi com azamygha.

Lugar lindo, música ótima, bar bem variado. Encostei no balcão e pedi para o barman “um drink que venha naquele copão. Pode escolher um pra mim, só não coloca anis, nem faz muito doce e nem muito amargo”. Vi ele misturar vários alcoólicos e, no fim, colocar suco de laranja e de abacaxi. Vi os drinks das minhas amigas acabarem e meu copão ainda estar pela metade.
Não satisfeita com o pilequinho adquirido, resolvi ir ao bar e pedir outro drink no copão. Mesmo esquema: o bartender escolhe, nada muito doce nem muito amargo, abominamos anis.

Novamente, vi o moço misturar vários alcoólicos e, no fim, colocou um chorinho de Coca e um dedo de energético. Ao terminar a mistura, ele olhou pra mim e fez o fatídico sinal de “tá fudida!”. Perguntei a ele o que tinha ali dentro. Rum, vodka, tequila, whisky, Coca e energético foi o que ele respondeu, mas tenho certeza de que ele também colocou uma lágrima do Capeta dentro daquele copo.

Já no primeiro gole largo, sentir o lugar rodar. Mas a situação estava sob controle enquanto eu estava de pé e me movimentando na pista de dança. Foi quando entrei no taxi, tendo ingerido quase um litro de coquetéis, que percebi a gravidade da coisa. Para dar uma noção do tamanho do estrago, tenho a dizer somente que às 09h30min, quando fui levar Otelo no petshop, eu ainda estava bem zonza. Às 11h52min, quando fui buscá-lo também.

Diante do cenário descrito acima, amigos, o que eu ainda vou tentar em 2011 é curar esta ressaca, que é minha única grande preocupação no momento.



PS: Perder 3kg é uma meta de vida. Eu SEMPRE quero emagrecer 3kg, então pode pôr na lista de coisas que eu vou tentar fazer até o fim do ano também.

PPS: Para saber mais informações sobre o Meme das Antigas, quem está participando e os temas futuros, basta dar uma passadinha no Pequeno Inventário de Impropriedades (link na imagem no início deste post).

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Com fé eu vou

Dia desses fiz aniversário. Precisamente quatro dias atrás. E aí que, nos 26 anos anteriores, eu nunca tinha tido um inferno astral de que me lembrasse. Tirando uma média, não consigo lembrar de um período realmente shitty da vida, principalmente de um que antecedesse o meu aniversário. Mas o Destino, todo mundo sabe, é um fanfarrão. E resolveu tirar a diferença às vésperas do meu 27º aniversário (coincidência ou não, aquela idade crítica, em que um monte de gente talentosa morre. Eu, talentosa, ando por aí carregando patuá até 25 de novembro do ano que vem). Desde junho que eu estava com uma zica que vou te contar: batemos o carro alugado na viagem de férias, perdi sacolas de compras, fui demitida, terminei namoro...

Cheguei ao dia do meu aniversário achando que não tinha nada para comemorar. Não fosse a Sula, nem teria lembrado que nossa data de nascimento marca o fim do inferno astral (que normalmente começa um mês antes do aniversário, mas né?).

Então dia 25 veio e, ao que tudo indica, saiu mesmo desatando alguns nós. Um frila muito legal, uma entrega que eu estava esperando desde semana retrasada, aluna precisando de mais aulas, faxineira que tinha saído e resolveu voltar... Tô botando fé.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Manifesto: Parem com as buzinas!

O negócio é o seguinte: eu não sou uma gostosa. Eu não sou daquelas mulheres lindas, com uma bunda enorme e incrivelmente redonda, nem com peitos espetaculares, nem de cintura fina. Também não sou super alta e chamativa. Sou uma mocinha comunzinha, baixinha, meio gordinha, normalmente ando de rabo-de-cavalo por aí. Nada demais. Mesmo. De verdade. Mas não há um único dia da minha vida que um carro não buzine para mim ou que um energúmeno venha me falar uma babaquice qualquer.

Todos os dias, eu saio para passear com o Otelo (meu cão) de manhã e à noite. E, em ambas as ocasiões, tenho que aturar nêgo palhaço enchendo meu saco. Hoje pela manhã, em um passeio de cerca de quarenta minutos, foram doze (DOZE) carros que buzinaram. Ontem à noite, caí na besteira de passar na frente de um bar e as vozes se confundiram, mas consegui identificar o famoso “nussssassinhora!” e o “que delícia, hein!” Na terça, fui obrigada a ouvir de um velho sem respeito a cantada do “seu cachorrinho tem telefone?” (sim, estamos em 2011 e essa ainda é aplicada). Fim de semana passado, fui abordada por dois caras em um carro, que me perguntaram “Hoje é seu aniversário?”. Respondi que não balançando a cabeça. “Mas você tá de PARABÉNS!”* foi o que ouvi em seguida. Isso porque eu nem vou entrar no mérito dos olhares para minha bunda (que, lembrando, não tem nada de sensacional).

Deve ter gente aí achando que eu deveria me sentir lisonjeada. Mas, não, galera! Longe de serem flattering, esses “galanteios” são ofensivos. Além de chatos (bagarai). Para quem ainda não parou para pensar nisso, mulher não é vitrine, que todo mundo pode comentar livremente e, eventualmente, cobiçar o que vê. E, para quem ainda tem dúvida, eu afirmo: mulher não gosta de ser cantada na rua. É uma afirmação categórica, clara, objetiva e universal. Não pense que não se pode generalizar, porque algumas gostam. Realmente, algumas podem gostar (e ouso dizer que essas precisam dar uma passada no psicanalista pra ver issaê), mas elas não são a regra e não devem ser encaradas como tal.

Outro dia, perguntei no Twitter o que pensa um cara que mexe com mulher na rua. E a resposta veio neste link (as legendas estão em Espanhol, mas acho que dá para entender bem). Como quem me mandou a resposta foi o Tyler Bazz, cara muito inteligente, tenho certeza de que ele estava brincando e não acredita realmente nisso. Agora, pensando na média do povo por aí, até posso acreditar que esse argumento (“não conseguimos pensar em nada melhor para chamar a atenção das mulheres”) seja verdade.

Sei que, na maioria das vezes, não adianta somente apontar o problema. É preciso sugerir soluções. Assim, para aqueles que ainda não conseguiram pensar em nada mais eficaz do que a famosa buzinadinha ou a cantada cretina, vou ensinar um truque que funciona em grande parte das vezes: converse que nem gente. Esse é o melhor jeito de pegar alguém – vale tanto para homens quanto para mulheres. É claro que você – homem – vai encontrar muita mulher bitchy por aí. Blame it on your fellas babacas, que geraram uma postura defensiva em muitas moças. Mas você vai se surpreender com a quantidade de gente de quem vai conseguir se aproximar. Todo mundo gosta de uma pessoa interessante, divertida e que sabe levar uma conversa gostosa. Agora, se você não tem conteúdo para segurar uma conversa, aí já são outros 500, né, migue.

Encerro este manifesto com um convite: se você também compartilha deste meu pensamento, divulgue esta ideia.

E parem com as buzinas. Porra.



* Essa até foi engraçada e os caras não estavam realmente me cantando, porque logo depois arrancaram com o carro às gargalhadas. E senso de humor conta pontos positivos. Mas está aqui para exemplificar o tipo de coisas que circulam por aí.

domingo, 13 de novembro de 2011

It Might Be You (ou Todos os Domingos da Minha Vida)

“Wondering how they met and what makes it last
If I found the place
Would I recognize the face?
Something's telling me it might be you
Yeah, it's telling me it might be you”

Ele vinha cantarolando a caminho de casa no domingo, já quase hora do almoço. Já estava na casa dos 70. Já não tinha mais a cabeleira que costumava usar. Na verdade, os poucos cabelos que restavam, na lateral e parte de trás da cabeça, estavam quase todos brancos. Também estava branca a barba, comprida. Continuava magro. E não abandonava a camisa xadrez de azul e branco, a calça jeans desbotada e o tênis.

Em uma mão, tinha uma sacola retornável e na outra segurava o celular. Era o celular que prendia sua atenção enquanto caminhava e cantava – bem afinadinho, apesar de não se esforçar para tal. Na telinha pequena, o envelopinho mostrava que havia recebido mensagem. Era ela, perguntando se ele já estava chegando com a batata palha e a gelatina sem sabor.

Cantarolando e respondendo à mensagem (“já saí da padaria. Por que, quer que volte para mais alguma coisa?”), pensou em quem estava em casa à espera. Ela, os três filhos – 35, 31 e 28, respectivamente – e os netos. Ele tinha netos! Três! Mas a caçula ainda morava em casa – “o dia que ela sair...”, pensou com uma pontinha de pesar. Será que eles já haviam chegado ou ela o estava apressando à toa?

Uma coisa leva à outra e ele se lembrou de coisas de mais de quarenta anos atrás. Ela não era a mais bonita. Nem a mais popular. Nem a família dela tinha dinheiro. Mas que inteligência! Que senso de humor! Que cabeça moderna para os anos ’50! Todas aquelas ideias sobre a igualdade entre os sexos, sobre a independência feminina, sobre vivermos do jeito que quisermos e não do jeito que esperam que vivamos. Era feminista, ora essa! E ele adorava. Nunca havia conhecido uma mulher tão decidida, tão confiante, tão divertida. Foi impossível não se apaixonar por tudo aquilo.

Também foi difícil aprender a conviver com tudo aquilo. Foi difícil aceitar que algumas tarefas da casa seriam dele; difícil aceitar que, sim, ela continuaria dando suas aulas; muito difícil aceitar ter tido que esperar até os 38 anos de idade para o primeiro filho, já que ela ainda queria terminar o mestrado antes de ser mãe. Mas cada aprendizado era um laço a mais que se atava entre os dois. Cada obstáculo vencido indicava que estavam fazendo um bom trabalho na empreitada que escolheram de ser uma família.

Ainda cantarolando, chegou em casa. O filho do meio já havia chegado com a esposa. A caçula – era a cópia da mãe! – terminava o livro em que estivera agarrada nos últimos dois dias. Ela – esposa, mãe, mulher, pessoa complexa mas de desejos simples – apareceu na porta da cozinha e olhou para ele por trás dos óculos com aquele ar apressado de sempre. “Traz a gelatina aqui, senão essa mousse não vai endurecer!”

Levou a sacola até a cozinha. Olhou em volta. Sentiu o cheiro da casa, das suas coisas, da sua vida. Reconheceu toda a sua história naqueles segundos. Provou um sentimento de pertença que não sabia o que era desde as lutas contra a ditadura na juventude. Olhou para ela e teve certeza, mais uma vez, de suas escolhas.

“Something’s telling me it might be you
Yeah, it’s telling me it might be you
All of my life”




sábado, 12 de novembro de 2011

Otimista até o osso

Minha vida está uma merda. Mas eu não acho.

Estou desempregada; fazendo uns trocados dando aula de reforço pra uma menina de 10 anos; dando um tempo num namoro de sete anos; longe da minha família; tentaram envenenar meu cachorro pela quarta (repito: quarta) vez; não consigo ter disciplina pra fazer uma dieta de três semanas e emagrecer os três quilos que estão me incomodando desde janeiro; meu e-mail só recebe spams; descobri que nem para dona-de-casa sirvo, porque passo os dias inteiros enrolando no computador e faxina, que é bom, nada. Isso já dura três meses.

Mas só percebi a fase urucada em que eu estou anteontem, quando ouvi minha mãe me falar ao telefone “acho bom este ano acabar rápido, porque ele não está bom pra você, não”. Foi só aí que enxerguei que estou na merda. O que estou estranhando é que enxerguei isso como se fosse alguém de fora, como se esses problemas todos não fossem problemas de verdade, ou como se não fossem meus. E aí concluí que estou numa fase de ver o copo cheio.

Estou desempregada, mas recebendo salário desemprego (não é o ideal, mas dá pra pagar o supermercado); nas aulas particulares, relembro um monte de coisas que é sempre bom saber; o tempo no namoro está sendo precioso para eu me conhecer melhor e me relacionar melhor com o mundo; como não tenho compromissos fixos na cidade, posso ir frequentemente passar uns dias com a minha família; não emagreço, mas estou me achando bonita mesmo assim; meus e-mails só recebem spam, mas tenho conversado com muita gente pelo Gtalk; vou contratar uma faxineira com a grana das aulas particulares pra resolver o problema da faxina.

A princípio, então, está tudo ok. Fora o estranhamento de estar me sentindo bem com a vida na lama, tudo ok.

Neste mundo em que reclamar – principalmente nas redes sociais, pra todo mundo ver e palpitar – virou moda e onde as pessoas competem quem tem a vida mais cagada, eu não tenho medo de assumir: tá uma merda, mas tá bom. Porque cada célula do meu corpo é otimista.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sobre feiúra e inconveniências

Eis que estava eu com Otelo parada na calçada esperando o sinal abrir para a gente atravessar. De repente, ouço de trás de mim:

- Cachorro é feio assim mesmo?

Olhei e era um senhor, com aquela cara de impáfia que algumas pessoas assumem quando velhas, certas de que a idade lhes garante imunidade sobre tudo. Resolvi manter o bom humor e respondi com um “Deste jeito!” e um sorriso. Mas ele me desafiou:

- Mas por que ter um cachorro feio assim?

- É, ele é feio, mas eu amo ele – respondi, mesmo discordando sobre o Otelo ser um cachorro feio.

- !

Aí eu resolvi que era hora de pôr fim àquilo:

- O senhor, por exemplo. Também é feio, mas deve ter gente na sua família que te ama. – e soltei um sorriso puro, deixando o velho abusado com cara de toda a pontuação conhecida pela gramática.

Já dizia minha bisavó: quem fala o que quer, ouve o que não quer.