quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Novamente, Tim

Chegando ao trabalho hoje, ouvi no rádio a música “Gostava tanto de você”, do meu querido Tim Maia. Lembrei de uma vez na escola, em que sugeri essa mesma música para uma homenagem ao diretor, que estava se aposentando.

Eu estava na quinta-série na época – vai saber como se chamaria isso hoje em dia, depois de tantas reformas e trocas de nomes das séries. Tinha 11 anos. Cada turma deveria fazer uma homenagem a esse diretor que era realmente muito bom e estava para se aposentar. A professora, com a sensibilidade de um javali, não conseguiu pensar em nada e perguntou à turma se alguém tinha uma sugestão. Eu, então, sugeri que a gente cantasse “Gostava tanto de você” em coro. Já de cara, a recepção não foi bem do jeito que eu esperava:

- Que música é essa?, perguntaram não só os meus colegas de sala, como também a professora, de Português, diga-se de passagem.

- É aquela que fala “Não sei por que você se foi, tantas saudades vou sentir...”, do Tim Maia!, respondi provavelmente com tom de obviedade.

A professora perguntou então se alguém poderia pesquisar a letra – lembrando que quase 15 anos atrás não existia a internet no mundo das pesquisas escolares – para nós começarmos a ensaiar no dia seguinte. Novamente, eu levantei a mão:

- Professora, eu sei a letra de cor! Se quiser, posso anotar agora e a gente começa a ensaiar hoje mesmo.

Ainda lembro da cara de espanto dela e dos meus colegas de sala, que não entendiam como eu podia saber a letra de uma música que tinha praticamente a minha idade (mal sabiam eles que, nessa época eu também já sabia de cor “Tiro ao Álvaro, de João Sabiá). Na época, não entendi o motivo das caras esquisitas e simplesmente peguei uma folha de caderno e me pus a passar a letra da música para o papel.

Hoje, escutando “Gostava tanto de você” no rádio e me lembrando do repertório de Tim Maia, concluí duas coisas: que aquela professora tinha a cultura pop de uma britadeira; e que Tim Maia deveria ser conteúdo obrigatório nas escolas. Todo vertebrado deveria saber de cor as letras de “Acenda o farol”, “Réu confesso”, “Descobridor dos sete mares”, “Azul da cor do mar”, “Você” e “Primavera”. Só para começo de conversa. E para os que, como eu, são fãs:





PS: Ainda pensando sobre o assunto, me veio à cabeça: “mas também, em um país em que a maioria da população não sabe nem a letra do hino nacional, querer que cheguem a saber Tim Maia talvez seja um pouco demais...”

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Balanço de fim de ano

Vou fazer meu balanço de 2009 agora, porque sei que amanhã não vai dar tempo. E, se a Globo pode fazer a Retrospectiva dela hoje, eu também posso!

- Formaturas: 2

- Estágios: 2

- Amigos reconquistados: 12

- Amigos perdidos: 1

- Cachorros comprados: 1

- Namoros desfeitos: 0

- Brigas com o namorado: incontáveis (mas feias mesmo foram só umas duas ou três)

- Móveis na sala de casa: 0 (considerando que borboleta de origami não conta como móvel)

- Receitas incorporadas ao menu pessoal: 2 (boas!)

- Quilos perdidos: 6

- Quilos ganhados: 2

- Dias de férias: 2

- Viagens realizadas: 5 (pro Rio, só conto a do Carnaval, que foi de moto. As outras não valem)

- Outros: comecei a estudar Espanhol e a fazer capoeira, comprei o pacote de depilação a laser e tive a Laura - amiga italiana - morando comigo por quatro meses.

Saldo: positivo

domingo, 27 de dezembro de 2009

Delicadeza de Natal

Tudo começou com as etiquetas dos pijamas. Quando eu era pequena, minha mãe me colocava no colo para me ninar à noite, já de pijamas, e eu esfregava a etiqueta da roupa dela enquanto chupava o polegar esquerdo. Mas, como minha mãe trabalhava fora o dia inteiro e eu ficava com meus avós, Vô Zé me comprou um lenço de seda indiano para eu esfregar enquanto chupava o dedo.

Durante todos os anos em que chupei dedo - acho que parei com uns sete ou oito - foram, talvez, dezenas de “lencinhos" que eu esfregava até puir um tecido no outro. A perda de um lenço era como a perda de um ente querido. Ainda me lembro da vez em que um deles voou da janela do carro na ponte Rio-Niterói. Fiquei sem dormir aquela noite porque não queria o lenço que minha mãe já tinha de reserva em casa. Queria o meu lencinho que tinha voado na ponte.

Com o passar do tempo, eu comecei a usar aparelho, parei de chupar dedo, comecei a ter vergonha da mania, adquiri outras tantas manias e o lencinho – sem seu fiel companheiro Polegar Esquerdo – também acabou caindo em desuso na minha vida.

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Ontem fui à casa dos meus avós paternos – Vó Mana e Vô Zé. Minha avó já havia me dado seu presente de Natal: uma colcha de retalhos! Já meu avô, velhinho, não havia me dado nada. Ele me viu deitada no sofá, assistindo ao Caldeirão do Hulk na tv e, magrinho, achou um lugar para se sentar ao meu lado. Olhou para mim com aquela cara sorridente que ele sempre tem e falou:

- Raquel, me faz um favor??

- Claro, vô. Pode falar, respondi

- Mas faz mesmo??? - Confirmou ele, pegando alguma coisa no bolso

- Faço, pode falar, respondi já imaginando ter que ir à padaria comprar um refrigerante ou coisa parecida

- Toma esse dinheiro e compra um “lencinho” pra eu te dar de Natal! - disse Vô Zé com a cara mais marota que se pode esperar de um senhor de quase 80 anos

Fiquei comovida com o gesto delicado e, ao mesmo tempo bem humorado do meu avô. Me surpreendi com sua presença de espírito, para mim, atípica em uma pessoa próxima das oito décadas de vida.

O “lencinho” se transformou em uma calça saruel de malha que fiz questão de mostrar para ele.

- Aqui, vô, o presente que você me deu de Natal!

- Ihh! Buniiita!

Meu avô é uma gracinha.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

De dor e chuva

O dia hoje começou com um corre-corre sem fim. De casa para a acupuntura, depois de volta para casa, então levar o Otelo no pet shop, passar na costureira e pegar o Otelo no pet shop. Tudo a pé, debaixo de um sol impiedoso. Por fim, entrei debaixo do chuveiro e saí, e almocei um copo de vitamina de frutas antes de correr para o trabalho, onde cheguei quase 20 minutos atrasada.

A caminho do trabalho, recebi uma notícia que me abalou profundamente. A morte do pai de uma amiga próxima me fez sentir nauseada, com um desconforto que não sabia definir bem por onde passava.

No trabalho, pedi para fazer releases que já tivessem as informações todas apuradas, pois não estava com vontade de falar com ninguém. Minha coinquilina me mandou e-mail falando sobre planos legais que temos a intenção de realizar em breve e eu não consegui pensar sobre eles. Só conseguia pensar na minha amiga e em como gostaria de dar um abraço nela e dizer que ela pode contar comigo a hora que quiser e para o que quiser.

Combinei com meus outros amigos e parceiros de projeto experimental um meio de irmos para Itabira, cidade da nossa amiga e de sua família. Vamos amanhã de manhã e voltamos pela manhã mesmo. Só para dar um abraço, que é o que nossas limitações nos permitem.

Agora são 17:20, e cai um temporal como não me lembro de já ter visto. O dia virou noite em menos de 20 minutos. As nuvens pretas, desafiadoras, estão baixas como se pudessem ser tocadas da janela da nossa sala, no 6º andar. A água cai com força e raiva. É um espetáculo bonito, apesar de furioso e assustador. Todas essas gotas de chuva, bem devagarinho, começam a lavar minha alma e tirar daqui a sensação que me consumiu o dia.

domingo, 4 de outubro de 2009

O sonho glutão

Dia desses sonhei que tinha ido a uma festa em que o menu era composto só de doces. Aliás, em alguns momentos do sonho pensei que fosse uma degustação de doces ou coisa parecida. Eu estava com um vestido de festa muito bonito. Era azul, e tinha bordados de pedras. Meu cabelo estava com um penteado muito chique.

Lembro que no sonho eu comia, comia muitos doces. Rocamboles, casadinhos, mil folhas, quindins, trufas, brigadeiros, profiteroles, bombons, uma infinidade de doces deliciosos. Ao sair do lugar, enquanto esperava o carro – ou taxi, vai saber – com meus pais, ainda tinha um pratinho que havia pego para levar.

Na manhã seguinte, acordei sobressaltada. Me arrumei correndo e saí para a faculdade um pouco mais cedo. Passei em uma farmácia que tem no caminho e me pesei. Alívio: ainda estava com os mesmos 59kg de sempre!


E ela jejuou - feliz? - para sempre

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Perfeito

Um fim de semana perfeito começa na sexta-feira à tarde. Esse seria o momento de dar uma passeada pela Savassi, tomar um cappuccino shake no Café Três Corações, entrar em todas as lojas e olhar as coisas bonitas longamente. Como estamos falando do fim de semana perfeito, seria início de mês, e eu teria dinheiro para comprar uma sandália linda, uma calça que vestiu super bem e uma blusinha modernosa. À noite, eu em contraria algum amigo, ou um pequeno grupo de amigos para uma cerveja de leve em algum lugar gostoso e com música ao vivo. De preferência, o Normal, onde o Kelber toca deliciosamente todas as sextas à noite.

No sábado de manhã, a boa seria dar uma corridinha por aí com o Namo. Às vezes, praticamos um esporte que se chama corremorar, em que os participantes correm e namoram ao mesmo tempo. A parte da corrida fica prejudicada, mas o namoro agradece. Idealmente, Otelo seria comportado o suficiente para nos acompanhar nesse programa e faria todo o percurso sem embolar a coleira nas nossas pernas e sem sentar no chão, empacado que nem mula, com a língua igual a uma gravata após meia hora de passeio.

Terminado o trajeto, nos sentaríamos em uma mesinha do ¡Me gusta!, na Lagoa Seca, e tomaríamos um frozen yogurt. Depois iríamos para casa preparar o almoço. Descansaríamos à tarde, para irmos a algum programa bacana com nossos amigos à noite. Nada de boate, porque não tenho saco, mas um samba seria ótima opção. Nos divertiríamos horrores e sairíamos do lugar suados de tanto sambar.

Domingo de manhã seria de enrolar na cama até umas 10h, e sair para tomar um brunch no Café Status. Daríamos uma volta por aí, vendo lugares bonitos e pessoas diferentes. Como seria um dia de sol, poderíamos dar uma ida rápida ao CEU tomar um banho de piscina e um solzinho. Voltaríamos para casa à tarde e assistiríamos às séries do Universal Channel até a noite, quando fecharíamos o findi com uma ida a um café ou a uma sorveteria gostosa.

Todos os meus fins de semana até hoje foram diferentes desses planos. Gosto disso.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Raquel

Desde muito nova lamentei o fato de não existirem músicas – boas – com o nome Raquel. Tantas possibilidades de rima, tanta sonoridade e nenhum artista inspirado para pôr letra e melodia ao redor dessas seis letras. Beatrizes, Luízas, Carolinas, Marianas, Roxannes – só para citar algumas – todas agraciadas com letras de músicas, mas nenhuma Raquel teve o mesmo privilégio. Frustrante, essa é a palavra.

Um pouco mais velha, minhas pretensões aumentaram. Já não bastava ter uma música com meu nome. O sonho dourado passou a ser ter uma música feita para mim. Meu nome na música já não era importante. Aliás, era até melhor que ele não estivesse explícito. Queria alguma que eu ouvisse e soubesse exatamente, e melhor do que ninguém, o que aquelas palavras continham. Como quando escrevo alguns textos: a maioria das pessoas tem um nível de compreensão global, mas uma determinada pessoa consegue entender em profundidade.

Semana passada, em uma aula de Espanhol, a descoberta: o músico uruguaio Jorge Drexler, autor de músicas que adoro, me fez feliz sem saber. A sua música Raquel é uma graça, e muito agradável aos meus ouvidos.

Um passo de cada vez.