quinta-feira, 10 de julho de 2008

Surto de uma solteira-sozinha

Morar sozinho é uma situação que pode acabar se tornando até um pouco perigosa. O solteiro-sozinho adquire hábitos, manias, vícios, rituais que as demais pessoas não compreendem, e dos quais ele não consegue se desfazer facilmente. Fica meio anti-social mesmo. Assim sou eu, morando sozinha há alguns meses e cuidando de mim de forma independente de pais e família há esses meses mais oito anteriores.

No mundo do solteiro-sozinho, a presença de outras pessoas hospedadas dentro de casa pode ser um fato extremamente arrasador, que altera a rotina e desequilibra o dia-a-dia. A outra pessoa vem cheia de boas intenções, oferece ajuda, faz algumas coisas sem perguntar, guarda tudo o que está fora do lugar. Assim é quando minha mãe está passando uns dias comigo.

Enquanto tive papai e mamãe sob o mesmo teto, eu não sabia o que era lavar roupa (passar, não sei até hoje, pois visto tudo do jeito que sai do varal), cozinhar, lavar banheiro, varrer casa, lavar louça... Tudo isso, e tantas outras coisas que fazem parte do kit Cuide-da-Sua-Própria-Vida, eu tive que aprender na marra, enquanto morava a 12 mil quilômetros de casa. E aprendi. Aprendi tão bem que desenvolvi minhas próprias técnicas para cada uma dessas coisas. Peguemos como exemplo a lavagem das roupas. Tem que separar a lingerie do resto e colocá-las em um saquinho especial que impede que a máquina as estrague! Assim encontramos o primeiro problema da visita da minha mãe.

Ela chegou hoje de manhã, eram 6:30. E eu nem me importei de ela ter me ligado esse horário para saber a senha do alarme do prédio, me acordando no dia em que eu só iria trabalhar à tarde. Aliás, eu estava felicíssima em tê-la comigo. Estou ainda, na verdade. Mamãe tomou seu café-da-manhã e já partiu para suas boas ações de quando ela vem para cá: colocar as coisas em ordem, deixar feijão cozido no freezer, passar algumas roupas (que até estranham o tratamento). E a primeira ação do dia foi esvaziar meu cesto de roupas sujas.

Gracinha da parte dela, não é? Também acho. Mas estragar minha calcinha branca de rendinha, linda, que comprei em Bolonha é sacanagem! O fato de eu colocar a lingerie em um saquinho de telinha não é apenas rabugisse de solteiro. Isso tem um objetivo, que é, justamente, não estragar minhas calcinhas de renda, por exemplo!

Ok. A crise da calcinha não está superada, mas vamos em frente. Enquanto a roupa lavava, minha mãe e eu fomos ao supermercado, deixando recomendações à moça que faz faxina aqui em casa para que ela estendesse a roupa. Segundo ponto de atrito.

Acho que já está entendido que eu não passo as roupas. Mas, para isso, é necessário um cuidado cirúrgico no momento de estendê-las. Todas do lado certo, esticadinhas, sem pregador para não marcar, ocupando realmente o espaço que ocupam no varal (ou seja, nada de socar roupa em uma mesma cordinha para caberem mais peças). Regrinhas simples, de fácil compreensão e execução altamente possível. Menos para a moça que faz faxina aqui em casa. Além de ela ter pendurado todas (ênfase: TODAS) as roupas do lado avesso, ela ainda amontoou oito peças por cordinha (que deve medir um metro). Como se não bastasse, estendeu tudo mal-enjambradamente! Mas o que mais me irritou foi o fato de ter usado pregadores e nas pontinhas das roupas!

Especialmente para você que ainda não conseguiu enxergar o problema, eu explico. As roupas molhadas pesam, fazendo com que a roupa fique mais esticada do que o normal. Na situação ideal – ou seja, quando eu estendo as roupas – isso colabora para que as peças não fiquem amassadas. Na situação moça-da-faxina-amontoando-roupas-no-varal, isso faz com que as pontinhas fiquem deformadas, o que causa uma Kel com um guarda-roupas de peças cheias de pontas! Mais uma vez, ponto para a boa vontade da minha mãe que, para poder ir ao supermercado comigo, quis poupar tempo e pedir ajuda externa.

Em outros tempos, isso seria motivo de uma guerra civil aqui em casa. Mas, nos dias de hoje, como brigar com alguém que saiu do Rio de Janeiro não só para te ver, mas também para tirar das caixas de papelão as coisas que ainda estão lá desde a sua partida para a Italia, quase um ano atrás? Como ficar com raiva de alguém que, durante a tarde enquanto você trabalhava, fez seus dois bolos preferidos? Como se irritar com alguém que, neste exato momento, está sentadinha no sofá de pijaminha rosa, assistindo à Grande Família e comento pipoca Magitlec?

Ai, Mamãe...

8 comentários:

Otavio Cohen disse...

não sei se prefiro intrusos esporádicos ou pessoas q também moram sozinhas, exceto pelo fato de que moram sozinhas COM você. tipo, copos sujos que se multiplicam... pratos quebrados no chão que se tornam mobília... panelas de molho com coisas grudadas... vasiilhas com algo que um dia foi comida mas que agora ap´resenta uma coloração azul dentro da geladeira, lá no fundo pra ninguem ver...

pelo menos a revolução na sua vida foi a favor da limpeza ;)

Ruleandson do Carmo disse...

Eu moro sozinho,no meu quarto na casa dos meus pais. É uma zona, mas quando eu limpo me sinto muito bem. Adoro limpar as coisas quando estou triste. Essa semana fiz faxina todos os dias...

Otavio Cohen disse...

bem q eu achei estranho...

Gabriella disse...

Preciso de algumas dicas!
kakakkaka
Calcinha de renda!?!?!?!
bjos

Gabriella disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dani Vieira disse...

Mãe.. nunca dá pra passar muito tempo com raiva delas..

:)

Ainda moro com meus pais.
Hj sei que não entendo muito..
Mas, um dia vou compreender a velha frase que minha mãe tanto adora.. "não deixe bagunça pela casa, leve tudo pro seu quarto".

Será que meu quarto tb não faz parte da casa??

hehehe

(Comentário de uma intrusa que achou teu blog..)

Kel Sodré disse...

Gabi:
Pois é, menina, tô virando gente grande! Já até troquei a calça plástica por calcinha de renda!

Dani:
Seja bem vinda ao blog! Ele está aí para isso mesmo: ser lido, comentado, apreciado ou não. Indique, se quiser, e volte sempre!

Átila Uno Ikki disse...

morar sozinho é duro, mas é uma arte, e eu curto de montão. Viva! rsrsrs